segura
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Nick Alm — Elevator (2017)
No décimo segundo andar, a mulher pôs a mão na porta do elevador.
— Segura só um pouquinho? O Paulo tá vindo.
Olhamos uns para os outros em busca de uma votação secreta quando ouvimos do corredor um “Tô indo!” O elevador tinha cinco pessoas, e todas descobriram, naquele instante, que “tô indo” é uma medida de tempo sem valor científico.
— Paulo! — gritou a mulher.
— Já vai.
Um homem de mochila olhou o relógio. Uma senhora apertou o botão de fechar discretamente, como quem tenta matar um mosquito. A mulher na porta impediu.
— É rapidinho.
A senhora sorriu.
— Claro. — A voz saiu com décadas de ódio.
— Paulo!
— Só pegando uma coisa!
O homem da mochila perguntou:
— Ele está pegando a coisa ou vindo?
— Deve estar vindo com a coisa.
— São duas coisas diferentes.
Ninguém riu, mas todos concordaram. Chegou mais uma moça.
— Cabe?
— Cabe — respondeu a senhora. — O que não cabe mais é o Paulo.
A mulher na porta começou a se irritar.
— Gente, é meu marido — disse como se o casamento constituísse prioridade no código dos elevadores.
Depois de alguns segundos, Paulo veio pelo corredor dizendo:
— Amor, você viu minha carteira?
— Tá na sua mão!
Silêncio. A senhora reprovou a situação com uma torcida suave de boca. Finalmente Paulo chegou ajeitando o paletó, a carteira em uma mão, o celular na outra.
— Viu? Foi rápido — sua mulher disse com um sorriso de vitória desconcertante.
Paulo olhou para dentro e perguntou:
— Tá descendo?
— Tá — responderam seis vozes.
Ele fez uma careta.
— Ah, não. Eu vou subir pra encontrar com o Mauro.
E apertou o botão do elevador ao lado. A porta se fechou. Durante três andares ninguém disse nada. No nono, a senhora perguntou para a esposa:
— Há quanto tempo vocês são casados?
— Vinte e três anos.
A senhora assentiu.
— E ainda espera por ele?






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